Pierre Henry

Hoje em dia a música eletônica é algo extremamente comum. As bandas techno usam sintetizadores com naturalidade, e até a música pop rendeu-se aos digitalizadores (como por exemplo a Madonna e suas recentes músicas, feitas com auxílio de vocoders).

Mas antigamente isso não era assim. Embora a música eletrônica tenha ficado popular com bandas como Kraftwerk, a idéia de utilizar aparelhos não analógicos em música é bem mais antiga. O primeiro instrumento eletrônico foi provavelmente o Theremim, feito em 1920, que usava o batimento de dois osciladores para produzir ondas senoidais.

Porém a inovação realmente surgiu no fim da década de 40, com o advento da música concreta. Esse movimento acreditava que o problema da música da época era o fato de ser feita com instrumentos musicais. Com o surgimento dos gravadores, os músicos concretos perceberam que qualquer ruído poderia ser reproduzido com fidelidade, e incluído em uma música.

Pierre Henry, um músico francês, foi um dos pioneiros na área. Seu trabalho mesclava a música tradicional com as novas oportunidades surgidas com os aparelhos eletrônicos. Uma mesma música poderia ter como instrumentos sinos e derrapadas de carros!

Um de seus trabalhos mais conhecidos foi na área religiosa. Pierre compôs a "Messe pour le temps present" (missa para o tempo presente), que foi tocada pela primeira vez na Catedral Católica de Liverpool, uma igreja high-tech onde a cruz no altar é feita com lâmpadas neon.

Na época, seu trabalho era considerado o melhor exemplo de como seria a música no futuro. Provavelmente por esse motivo, um remix da "Messe pour le temps present" foi escolhida por Matt Groening como tema de abertura do conhecido desenho "Futurama".

Quem quiser conhecer a versão original, pode pegar a música no link abaixo, e depois ficar tentando imaginar como seria ouvi-la dentro de uma igreja.

Messe pour le temps present - Pierre Henry

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Autor: Ricardo Bittencourt
Data: 23/1/2001
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