Esquilo

Todo ano, no verão, eu faço uma migração para o Rio de Janeiro. Uma vez lá, é impossível deixar de notar a rivalidade que existe entre paulistas e cariocas. Um dos diálogos que sempre se repete ocorre quando tento pegar um ônibus:

Ricardo: "Quanto é a passagem?"

Cobrador: "Você é paulista?"

É claro que esse tipo de resposta é a mais amena. Certa vez, eu, o Daniel Caetano e mais dois amigos estávamos perdidos no meio de Niterói, à uma da manhã, tentando achar onde ficava nosso hotel. Tudo que sabíamos é que ficava perto da praia.

Resolvemos então parar num posto de gasolina para perguntar. Logo após nossa pergunta, a primeira reação do frentista foi dar a volta no carro para ver a chapa. Uma vez confirmada que era de São Paulo, ele enrolou, enrolou, e finalmente deu a resposta. Com um detalhe: o caminho que ele nos indicou nos levava para o alto de um morro. Felizmente percebemos a tramóia a tempo e nos desviamos para o caminho certo.

Mas, de todas as formas de preconceito, nenhuma supera aquela que sofri no Jardim Botânico do Rio. Passeando no meio do verde, encontrei um esquilo procurando comida no chão. Eu fiquei muito feliz, pois nunca tinha visto um esquilo antes. Resolvi então apontar a bolacha que carregava para ele, e falei: "Vem cá, esquilo".

O esquilo, percebendo meu sotaque de paulista, fugiu, subindo no alto de uma árvore que estava por perto. Frustrado, resolvi ficar embaixo da árvore tentando encontrá-lo. Tudo que via era um pontinho se mexendo.

Até que, em um dado momento, o pontinho começou a aumentar, a aumentar, e a aumentar! Quando percebi o que estava acontecendo, rapidamente saltei para o lado! Foi a minha sorte! O esquilo tinha atirado uma JACA em mim !!

Depois dessa sempre tomei cuidado ao lidar com nativos do Rio. Sendo paulista, não é possível confiar nem mesmo nos esquilos.

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Autor: Ricardo Bittencourt
Data: 16/6/2000
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